"Bem, eu já disse, baby, antes eu partir do que cair na farra", Muddy Waters
A banda HARD DAYS surgiu em 1997. Goiânia, cidade de rock e música
sertaneja,
aprendeu a gostar de blues. O grupo é formado por Douglas Vasco(vocais,
gaita, washboard), Henrique
(guitarra, violão), Fred Soares(bateria e percussão), Welliton Carlos
(guitarra e violão) e
Manoel Messias(baixo e violão). Nesses últimos três anos, a HARD DAYS
procurou desenvolver apresentações
voltadas para o público jovem e adulto interessado na música negra.
Festivais e shows ao lado de
outros músicos aconteceram com a livre
intenção de fazer valer a música negra. No repertório da HARD DAYS,
muito blues dos anos 40, 50 e 60. Ao contrário dos grupos que se
apresentam como bandas 'de blues',
mas que sempre fazem mais rock do que blues de verdade, a HARD DAYS é
especialista no estilo verdadeiro. "O repertório é básico:
repleto de standards", explica o baterista Fred. A HARD DAYS pesquisa
o estilo Mississipi e Chicago. De Elmore James, a banda toca
"The Sky is Crying" e "Dust My Broom".
De acordo com o vocalista Douglas Vasco, a HARD DAYS vai na raiz,
em vez de procurar os frutos:
"Claro que tocamos coisas recentes, sempre
tem alguma coisa de Jimi Hendrix ou Eric Clapton na banda, mas a
origem de tudo está lá trás, lá em "Sweet Home Chicago", de Robert Johnson,
por exemplo".
O grupo usa em suas apresentações a washboard, instrumento rudimentar
parente da tábua de lavar roupa que se popularizou no começo do século. É
um substituto da bateria para as apresentações acústicas.
A estrada
Estou indo para Lousiana, embaixo do sol lascado", M. Waters
A estrada é a metáfora da esperança para o bluesman. Ele acredita que pegar outro rumo, 'take
the train', é melhorar um passado de tristezas. A história do blues se mistura com a
história das migrações que ocorreram nos EUA no começo do século. A música acompanhou a Crise da Bolsa de Nova York, em 1929. Com
os campos sem produção, restou ao negro da zona rural a migração para os centros urbanos como Detroit e Chicago. O blues acompanhou
esta mudança, a mudança do arado para a máquina, do violão de aço para a guitarra amplificada. A HARD DAYS pega carona nessa história
para escrever suas músicas. É o caso de "Stop the Train", composição própria onde a gaita imita o som do meio de transporte, em sua linha de partida e
chegada. A onomatopéia sonora transfigura a tristeza em elemento de
esperança. A banda escreve suas músicas em inglês e português,
como forma de tentar, aos poucos, a aproximação da cultura negra americana
com
a brasileira. "Cantar na língua do Brasil é interessante, pois
estamos contando histórias, o ouvinte precisa entender estas narrativas",
diz Manoel Messias.
Para Henrique, por outro lado, o inglês deve estar nas canções como forma de registro de uma cultura. "Não interessa se é a língua dominante, de
um país desenvolvido, arrogante e de primeiro mundo.
O mundo dá voltas e as línguas podem ser esquecidas. Olhe só o latim, antes a grande língua globalizada e hoje objeto esquecido em livros. Não quero que isso aconteça com o
inglês do negro", diz.
O palco "Peguei minha guitarra e gritei a noite toda", Charlie Patton
A banda HARD DAYS já se apresentou em shows abertos e
em espaços fechados de pubs. Sua plataforma de
atuação preferida é o
palco pequeno e concentrado dos bares intimistas,
ideais para o estilo calmo e tranquilo das
apresentações. A HARD DAYS tem por vocação o
blues
tradicional e se esmera na atuação suave. Usa
guitarras Les Paul e Telecaster sem distorção.
Em Goiânia, ela faz o constantemente o circuito de
shows de casas como Don Sebastian, Território
Brasileiro, Trem Bão
e Drive Café. Atuante sem ser chato ou arroz
de festa, o
grupo atua mais preocupado em mostrar
inspiração e coisas novas. Não se preocupa
com contratos, mas com uma
boa apresentação.
ABERTURA
INFLUÊNCIAS
TRIBUTO A ROBERT JOHNSON